Rondônia, 05 de setembro de 2026
Eleições

Demissão de marqueteiro e "traição" com o candidato Luis Fernando abrem crise no comitê de Fúria

O recente episódio da demissão do marqueteiro João Kaleche e a "traição" ao candidato a senador, Luis Fernando, abandonado à própria sorte na campanha, embora seja o preferido do governador Marcos Rocha, abriu uma crise sem precedentes no núcleo de campanha do candidato Adailton Fúria (PSD). A consequência já é sentida no abandono de vários candidatos proporcionais (estaduais e federais) para outras campanhas. Alguns prefeitos também estão abandonando o barco, após ouvir rumores da ruptura iminente entre Fúria e o governador Marcos Rocha.

Segundo informações de bastidores, a demissão de Kaleche veio após Fúria obedecer a estratégia do marqueteiro no debate da Rema TV e levar uma invertida do senador Marcos Rogério, candidato do PL, na discussão sobre o envio de uma emenda para construção da Praça da Bíblica em Brasília. Fúria mentiu ao vivo na TV ao dizer que Rogério tinha aplicado R$ 14 milhões em plena pandemia e ainda mandou subir o assunto em suas redes sociais. Na realidade, o parlamentar destinou pouco mais de R$ 400 mil junto com outros parlamentares a pedido da frente evangélica brasileira.

Entre os proporcionais também há uma grande insatisfação com Fúria por ele andar somente com a esposa, Joliane Fúria, candidata da deputada federal pelo PSD. Outros candidatos são preteridos e estão buscando outras campanhas, como o PL e a Federação União Progressista.

Ruptura com o governador Marcos Rocha

Marcos Rocha, que também é presidente estadual do PSD, já andava insatisfeito com o candidato Adailton Fúria. Em discursos em grandes reuniões, Fúria se coloca como o "novo" e não poupa críticas ao governador em relação a Saúde e a Segurança Pública. Em uma de suas intervenções, Fúria disse que o governador "mandou fechar o comércio na pandemia", mas ele seguindo a diretriz do presidente Bolsonaro, decidiu brigar pela abertura das empresas. Na verdade, no auge da pandemia, Fúria não era prefeito. Ele assumiu em 2021, na segunda onda da Covid-19, quando o próprio Governo Federal emitiu decretos de redução do público em locais de aglomeração e o cancelamento de atividades não essenciais. O Brasil já tinha a vacina e era recomendado naquele ano o uso de máscaras, distanciamento físico e higienização das mãos.

A gota d´água para o fim da união entre Rocha e Fúria foi o abandono do candidato Luis Fernando, lançado pelo próprio governador e a primeira-dama Luana Rocha. Antes da campanha, Rocha acertou com Fúria e Expedito Junior, mentor político do candidato, o teto do fundo eleitoral e o apoio de toda militância à sua candidatura. Luis não recebeu o fundo completo, não foi convidado para vários eventos de campanha, e acabou abandonado por Fúria e sua esposa, Joliane, que já escolheu outro candidato ao Senado. Na reta final da campanha, Fúria tem muitos problemas para resolver, como encontrar um novo marqueteiro ou assumir a própria campanha já que se diz "marqueteiro de si mesmo". Outro encontro inevitável será com o governador Marcos Rocha e tentar evitar o desembarque de todo Executivo de sua campanha.

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