Rondônia, 12 de junho de 2026
Geral

Da zona rural de Jaci-Paraná para a SBPC: aluno de escola pública busca apoio para representar Rondônia em congresso nacional

Apaixonado por animação em stop motion e educação ambiental, Daniel da Silva foi selecionado para apresentar trabalho científico no maior evento acadêmico do país, mas enfrenta dificuldades para custear a viagem até o Rio de Janeiro.

Entre a rotina da zona rural de Jaci-Paraná e o sonho de participar de um dos maiores eventos científicos do Brasil, o estudante Daniel da Silva de Oliveira, do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria Nazaré dos Santos, tenta vencer agora um novo desafio: conseguir recursos para viajar e representar sua escola e Rondônia na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá entre os dias 27 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ).

Morador da linha 105, travessão 401, no Ramal Zé Legal, na zona rural do distrito de Jaci-Paraná, Daniel conta que o interesse pela ciência começou ainda no 8º ano, quando participou de uma atividade proposta pela Doutora em Geografia do ensino e professora Maria Luzia Ferreira Santos, a professora Mallu, utilizando a técnica de stop motion — método de animação quadro a quadro muito usado na produção audiovisual.

O tema escolhido por ele foi queimadas, uma realidade próxima da comunidade onde vive.

“Quando eu estava no oitavo ano, a professora Malu passou um trabalho de produzir stop motion. Nisso eu produzi uma animação sobre as queimadas. Desde então, isso foi despertando uma paixão em mim com essa técnica”, relata o estudante.

A dedicação chamou atenção da professora. No ano seguinte, Daniel passou a frequentar oficinas no contraturno escolar e, muitas vezes, permanecia o dia inteiro na escola para participar das atividades.

“Tinha dias que eu passava o dia todo na escola, às vezes até sem almoçar, para produzir stop motion no curso”, conta.

Esse empenho foi decisivo para que ele fosse escolhido para representar a escola no congresso nacional.

Educação ambiental e protagonismo juvenil

O trabalho aprovado pela SBPC tem como tema “O uso do stop motion como tecnologia de apoio na educação ambiental: experiência interdisciplinar no 9º ano da EEEFM Maria Nazaré dos Santos – Jaci-Paraná/Porto Velho/RO”, desenvolvido a partir de oficinas pedagógicas com estudantes da escola .

Segundo o resumo acadêmico submetido ao congresso, a proposta buscou estimular reflexão crítica sobre problemas ambientais vividos pela comunidade local, como queimadas, desmatamento, descarte irregular de resíduos e os impactos provocados pela implantação do complexo hidrelétrico no Rio Madeira .

A professora Mallu explica que o objetivo das oficinas sempre foi transformar a sala de aula em um espaço mais ativo, onde o aluno se torna protagonista do próprio aprendizado.

“A animação é usada em filmes, na produção audiovisual, e eu trabalho essas oficinas justamente para implementar a educação ambiental nas escolas. O stop motion funciona como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem e também como incentivo à educação ambiental”, explica.

Ela afirma que Daniel rapidamente se destacou não apenas pela participação, mas pela curiosidade genuína e pela vontade de aprender.

“O empenho do Daniel não foi somente uma simples participação numa atividade escolar qualquer. Eu percebi sobretudo a curiosidade, a vontade de aprender. Foi algo muito genuíno, porque despertou nele uma paixão.”

Uma conquista que expõe também a falta de apoio

Apesar da aprovação no congresso representar um marco para a escola pública de Jaci-Paraná, a participação ainda depende de arrecadação financeira.

Daniel está realizando uma vaquinha online para custear passagens e despesas da viagem ao Rio de Janeiro.

“Desde então eu conto com a ajuda de todos vocês para fazer suas doações na vaquinha online e assim me ajudar a pagar passagem para o Rio de Janeiro e representar minha escola”, pede.

A situação expõe uma realidade comum em muitas escolas públicas: alunos com potencial e resultados concretos, mas sem estrutura financeira para ocupar espaços de destaque acadêmico.

A própria direção da escola reconhece que talentos existem, mas faltam condições para ampliar essas oportunidades.

A diretora professora Klýcia destaca que a unidade já acumula resultados expressivos em olimpíadas científicas, especialmente em Astronomia e Química.

Segundo ela, somente nas olimpíadas de Astronomia foram conquistadas medalhas de ouro, prata, bronze e diversas honras ao mérito. Já em Química, foram 16 medalhas e mais 12 honras ao mérito.

“Temos um celeiro de medalhas. O que falta pra nós é aquele empurrão, aquele apoio. Ano passado não conseguimos levar os alunos por falta de condições financeiras.”

Ela afirma que uma aluna chegou a conquistar três medalhas em diferentes níveis de competição, além de convites para etapas nacionais e até internacionais.

Quando a escola pública rompe o limite do território

Para a professora Mallu, a ida de Daniel à SBPC tem um valor que ultrapassa a conquista individual.

“Quando vemos um estudante da zona rural, que enfrenta tantas dificuldades para simplesmente chegar à escola, alcançar um congresso de grande relevância acadêmica, isso mostra que a educação faz sentido.”

Ela reforça que o reconhecimento valida também o esforço diário de professores e da escola pública.

“O processo de educação não é só transmitir conhecimento, mas criar possibilidades. Quando vemos esse retorno positivo, entendemos que estamos no caminho certo.”

Mais do que uma viagem, Daniel representa hoje uma possibilidade rara: mostrar que talento, esforço e escola pública ainda podem abrir caminhos — mesmo quando o principal obstáculo não é capacidade, mas oportunidade.

Ajude o Daniel a alcançar esse sonho

Quer tornar a ida do Daniel para a SBPC uma realidade? Então ajude com qualquer valor via pix! Você pode enviar para a chave: (69) 99990-5859 - (Daniel da Silva de Oliveira).

Já foram arrecadados cerca de R$ 2 mil, porém, a meta é de R$7 mil devido ao alto custo das passagens no período da reunião. 

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