Rondônia, 23 de março de 2026
Geral

Doenças comuns sobrecarregam atendimento do Hospital Infantil Cosme e Damião

Febre, vômito, diarreia e outros sinais mostram que a saúde não vai bem. E fica ainda mais complicado quando se trata de crianças. Pais e responsáveis se desesperam à procura de atendimento médico. E  só lembram do Hospital Infantil Cosme Damião ( HICD), onde a intensa procura sobrecarrega a equipe, que não dispensa ninguém, mas faz primeiro uma avaliação do risco, priorizando os casos classificados de risco amarelo. Depois vêm o verde e o azul. O vermelho, que é risco de morte, vai direto para a emergência.

A rotina no Cosme e Damião é assim. Atendimento ininterrupto com gente chegando todo tempo. Juscilene Ferreira percebeu que o filho Igor, de cinco anos, não estava bem, correu para o HICD. Na hora da avaliação de risco, o paciente foi pesado, teve verificada sua  altura e após alguns  questionamentos a enfermeira Naldira Alves  informou à mãe que o caso da criança era de rotina, de risco azul. Questionada pela enfermeira por que não procurou antes um posto de saúde, a mãe justificou que mora perto do hospital, onde sempre que procura é bem atendida. O fato de ter que esperar a vez para ser atendida não trouxe nenhum transtorno para Juscilene ou para o pequeno Igor.

Assim como o caso de Igor, há muitos outros. No último fim de semana, por exemplo, a estatística de atendimento do HICD foi a seguinte: dos 362 atendimentos, 229 foram classificados como risco azul, poderiam ter sido atendidos nas unidades básicas de saúde municipais; 100 casos foram verde, indicados para atendimento nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), Unidades de Pronto Atendimento; e 33 ocorrências de fato eram destinadas ao HICD, classificadas como risco amarelo. Não houve registro de risco vermelho. No mesmo período, das 382 consultas, 361 foram de Porto Velho e 21 do interior do estado.

“A política do hospital é atender a todos. Não mandamos ninguém voltar para  casa ou ir a outro local”, Daniel Pires, médico

O pediatra Daniel Pires de Carvalho, gerente-médico do Cosme e Damião, explicou que o hospital aguarda, desde o mês de janeiro, informação do município de Porto Velho indicando as unidades de atendimento aptas a receber os pacientes sem gravidade.  “Sem esse indicativo, nosso pessoal tem que se desdobrar. Mesmo assim, a política do hospital é atender a todos. Não mandamos ninguém voltar para  casa ou ir a outro local”, disse.

Segundo ele, o acolhimento com classificação dos riscos foi uma excelente medida, porque oferece ao hospital e ao responsável pelo paciente a  noção de prioridade. “80% dos casos atendidos são classificados na cor azul, ou seja, são casos de ambulatório”.

O HICD tem 125  leitos fixos, cinco leitos de unidade intermediária, outros quatro da ala de Cuidados Intensivos Pediátricos (CIP) e 10 leitos para a UTI.  Por ser a única UTI infantil do estado, às vezes é necessário atender até pacientes  da rede particular. Mas devido à grande procura por internação, o hospital acaba classificado com vaga zero. “A maioria dos atendimentos é de pacientes da Capital, mas recebemos pacientes de todo o estado, além de Humaitá (AM), alguns do Mato Grosso e até da Bolivia”, salientou o médico.

HOSPITAL DE BASE

Pediatra Daniel Carvalho destaca importância do calendário de vacinas

O hospital infantil também absorveu a clínica pediátrica do Hospital de Base, que ficou somente com a oncologia e a UTI neonatal. Apesar de ter sido reinaugurado em 2012, a unidade já exige ampliação, por não comportar a demanda, na avaliação da administração, que já tem elaborado um projeto  dobrando o número de leitos da UTI pediátrica, criando o centro cirúrgico próprio, pois atualmente as cirurgias pediátricas são realizada no centro cirúrgico do HB. “A ideia é ter um complexo infantil  estruturado com atendimentos em um mesmo lugar”.

“Época de chuva é tempo das doenças virais, caracterizadas pelos resfriados, pneumonia, patologias respiratórias infeciosas e gastroenterite”, diagnostica o pediatra Daniel Carvalho, completando que a partir do segundo semestre, com  a seca, aparecem os problemas respiratórios, as bronquites, asmas e alergias. “As crianças são as maiores vítimas. Mas muitos problemas podem ser evitados se os pais ou responsáveis mantiverem em dia o calendário de vacinação infantil”, lembra.

Daniel Carvalho explicou que o Brasil é o primeiro País do mundo com  um calendário vacinal eficiente e considerado de excelente qualidade. O que acontece, em geral, é que além de muitos não cumprirem as datas vacinais, ainda existe um  certo  desleixo com relação à periodicidade de visitação da criança ao médico.

“Os pais precisam levar  seus filhos ao pediatra ao completar sete dias de nascido, depois aos 30 e a partir de então a cada três meses, mesmo que a criança não apresente nenhum problema. Mas a maioria não cumpre e só procura o atendimento quando a doença se instala”, reforçando que nas visitas periódicas, médicos e o corpo clínico de enfermagem avaliam o desenvolvimento da criança em todos os aspectos, psicomotor, alimentação, vacinação, movimentos, crescimento, peso entre outros. “O acompanhamento constante dos profissionais não dá imunidade, mas deixa a criança menos propensa às doenças sazonais”, argumentou.

SIGA-NOS NO

Veja Também

Justiça do Trabalho se declara incompetente, mas mantém suspensão de eleição no Sindicato de Policiais Civis de Rondônia

Servidores da Sedam cobram aprovação de plano de carreira e alertam para paralisação

Justiça manda Comissão Eleitoral entregar lista de filiados e adia eleição do Sinpol

Setor produtivo de Rondônia pede ao Governo redução do ICMS do diesel para enfrentar alta de preços