Rondônia, 06 de fevereiro de 2026
Geral

Em Rondônia, dados apontam que a falta de comunicação básica do poder público contribui para a baixa do índice de cobertura vacinal

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da Assessoria

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) aponta que a ausência de comunicação oficial eficaz do poder público contribui para quedas na cobertura vacinal no estado. Diante da baixa taxa de imunização contra a poliomielite registrada em Rondônia, os pesquisadores analisaram sites e redes sociais oficiais do estado e concluíram que o acesso à vacinação é dificultado pela falta de informação básica e acessível, como local e horário para vacinação e disponibilidade de vacinas, além da falta de atendimento telefônico. As conclusões estão no relatório disponível aqui.

Um impacto preocupante da queda na vacinação infantil, segundo o estudo, é a exposição de crianças a doenças graves que já haviam sido erradicadas no país, como a poliomielite, que pode causar paralisia e tem a vacina como única forma de prevenção. Em 2020, a imunização contra essa doença em Rondônia foi a menor do país, ficou em 66,62%, enquanto a meta de cobertura vacinal é de 95%.

Na pesquisa, realizada entre junho e dezembro de 2021, foram considerados três aspectos principais para compreender as causas da baixa taxa de vacinação: desinformação (fake news), indisponibilidade de dados públicos e escassez de transparência pública na saúde. Os dados obtidos apontam uma relação entre a baixa adesão às vacinas e a ineficiência da comunicação produzida pelos veículos e órgãos públicos para informar a sociedade sobre as campanhas de vacinação.

O coordenador do estudo, o professor Vinícius Raduan Miguel, docente no departamento acadêmico de Ciências Sociais, destaca que a maioria dos argumentos vinham na direção de atribuir aos usuários do SUS a abstenção vacinal e que a pesquisa buscou entender outras variáveis e explicitar as responsabilidades do Poder Público: “Encontramos um contexto negativo, de ausência de informações básicas a serem fornecidas pelos entes públicos, que dificultam o acesso de cidadãos à vacinação”.

Entre as barreiras à vacinação, os autores identificaram um déficit de informações, nos sites e nas redes sociais dos órgãos públicos de saúde, quanto aos endereços dos locais de vacinação, horários de atendimento, dados sobre calendário vacinal e escassez, ainda que provisória, de algum imunizante. Também, nesse contexto, estavam ausentes informações quanto à segurança e importância de vacinação. “Assim, apontamos que a transparência pública e o acesso à informação são ferramentas fundamentais que vêm sendo negligenciadas pelos gestores públicos, e sua ausência têm contribuído significativamente para a baixa vacinação”, destaca Vinícius.

Como alternativa para enfrentamento aos problemas identificados, os autores do estudo sugerem a adoção de um plano e de estratégias que reduzam o déficit de transparência relativo à vacinação, como, por exemplo, a criação de portais eletrônicos de vacinação com informações claras e atualizadas para orientar a população. Outro ponto importante de comunicação seria a institucionalização de centrais de atendimento online, por meio da utilização de redes sociais e ferramentas digitais, como WhatsApp, SMS e até mesmo ligações, para prestar os dados necessários.

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