Inscrições abertas: programa realiza triagem gratuita dia 26 para pacientes com fissura labiopalatina

A Operação Sorriso, uma das maiores organizações humanitárias de cirurgia do mundo, em parceria com o Governo de Rondônia, realiza entre os dias 26 e 30 de março um novo programa cirúrgico em Porto Velho, oferecendo avaliações gratuitas para crianças, jovens e adultos nascidos com fissura labiopalatina, condição em que o lábio superior e/ou o céu da boca não se formam corretamente durante a gestação.
A triagem acontece no Centro Universitário (Fimca), a partir das 8 horas, e é aberta a todas as pessoas que nasceram com a condição. Durante o processo, uma equipe multidisciplinar formada por voluntários da área da saúde avaliará cada paciente para definir o melhor tratamento. Aqueles que forem selecionados poderão realizar cirurgias gratuitas durante o programa.
As inscrições podem ser realizadas previamente por meio de formulário on-line, clicando aqui. Para agilizar o atendimento, é importante levar documentos pessoais (identidade, comprovante de residência e cartão SUS), além de exames atualizados, como hemograma completo, TAP (Tempo de Atividade da Protrombina) e tipagem sanguínea. Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp: (69) 98118-6949.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 650 nascimentos no Brasil, uma criança nasce com fissura labiopalatina, condição que pode comprometer funções como alimentação, fala e audição, além de gerar impactos socioemocionais. No país, a Lei nº 15.133, sancionada em 2025, reforça o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo cirurgias reconstrutivas e acompanhamento multidisciplinar, com serviços como fonoaudiologia, ortodontia e apoio psicológico, além de encaminhamento prioritário a centros especializados desde o diagnóstico.
A coordenadora de programas da Operação Sorriso, Giovanna Lombardo, destaca a importância de levar iniciativas como essa para a Região Norte do país, onde o acesso ao tratamento ainda é limitado. “O Brasil, no geral, possui uma das maiores incidências de nascimento de pacientes fissurados. É um número bem expressivo, um dos mais altos em nível mundial. Isso faz com que exista uma grande necessidade de tratamento sendo ofertado de forma gratuita e sistemática, perto do paciente”, explica.
Segundo Giovanna, a demanda é ainda maior na Região Norte, que tem menos centros especializados para atendimento. “Além disso, o deslocamento do paciente é muito mais caro e dificultoso para que possa ser atendido em centros fora da sua região”, afirma.
Para ajudar a reduzir essa demanda reprimida, a organização realiza programas cirúrgicos que também funcionam como oportunidades de capacitação para profissionais locais. “A necessidade de estarmos lá é para ajudar a diminuir essa fila e, principalmente, para treinar novos profissionais da Região Norte para que possam atender e dar continuidade ao cuidado desses pacientes perto da casa deles”, completa Giovanna.
Como funciona a triagem
A triagem é realizada no primeiro dia do programa cirúrgico, dia 26, e funciona como uma avaliação completa e multidisciplinar. Ao chegar, o paciente abre o prontuário e passa inicialmente pela equipe de psicologia, que orienta a família sobre todas as etapas do atendimento e ajuda a alinhar expectativas sobre o tratamento.
Em seguida, o paciente passa pela enfermagem para aferição de sinais vitais e depois por diferentes especialidades médicas, como anestesia, pediatria e cirurgia plástica, que avaliam as condições clínicas e definem a possibilidade de realização do procedimento cirúrgico.
O atendimento inclui ainda avaliação odontológica, fonoaudiológica e genética, além de registro fotográfico para acompanhamento da evolução do tratamento. “A triagem é um momento de multidisciplinaridade, que é o padrão-ouro no tratamento do paciente fissurado. Vários profissionais de diferentes áreas trabalham juntos para entender o que é mais seguro e mais eficaz para o paciente”, complementa a coordenadora da Operação Sorriso.
Após a primeira etapa de triagem, no dia 27, a equipe analisa todos os dados coletados para definir o mapa cirúrgico. A expectativa é avaliar entre 60 e 70 pacientes, com possibilidade de realizar cerca de 35 cirurgias durante os três dias de procedimento.
Atendimento que vai além da cirurgia
A Operação Sorriso leva cerca de 60 voluntários da área da saúde para cada programa, garantindo que o atendimento não seja apenas cirúrgico. “A Operação Sorriso tem no seu cerne não ser apenas uma missão cirúrgica. A gente leva profissionais de diferentes áreas para que o atendimento também envolva acompanhamento psicológico, fonoaudiológico e odontológico. O objetivo é oferecer uma visão holística e multidisciplinar do tratamento”, explica a coordenadora.
Segundo ela, o impacto desse trabalho vai muito além do procedimento médico. “A emoção no pós-operatório é indescritível. Você vê o brilho no olhar da família e do paciente quando percebem o resultado da cirurgia e a possibilidade de uma nova vida. Os pacientes fissurados muitas vezes são marginalizados em diferentes instâncias da sociedade. Quando chegam à Operação Sorriso, encontram um ambiente de acolhimento muito forte”, relata.
O estado também mantém atendimento especializado por meio do Núcleo de Fissurados de Rondônia, que oferece acompanhamento multiprofissional. O serviço funciona em anexo ao Hospital de Base, na Avenida Governador Jorge Teixeira, nº 3766, Bairro Industrial, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.
Desafios enfrentados pelos pacientes
A fissura labiopalatina pode trazer desafios desde o nascimento. Bebês com a condição podem ter dificuldade para realizar a sucção e se alimentar corretamente, o que pode levar à perda de peso e comprometer o desenvolvimento. Quando há fissura no palato, também podem ocorrer engasgos e problemas respiratórios. Ao longo da infância e adolescência, dificuldades na fala e questões estéticas podem levar a episódios de bullying e isolamento social.
Além disso, pacientes fissurados podem apresentar maior incidência de infecções de ouvido, que podem resultar em perda auditiva se não tratadas. Sem acesso ao tratamento adequado, esses desafios podem acompanhar a pessoa até a vida adulta, impactando a vida social, educacional e profissional. “E, se ele continuar sem tratamento até a fase adulta, esse paciente passa a viver basicamente isolado da sociedade, com dificuldade de conseguir emprego e, enfim, de ter uma vida digna”, comenta Giovanna, da Operação Sorriso.
Sobre a Operação Sorriso
Presente no Brasil desde 1997, a Operação Sorriso é uma das maiores organizações sem fins lucrativas médicas voluntárias do mundo, dedicada ao tratamento de pessoas nascidas com deformidades craniofaciais, especialmente fissuras labiopalatinas. O primeiro programa cirúrgico da instituição no país foi realizado em Fortaleza (CE) e, desde então, a organização já promoveu 94 missões cirúrgicas em 17 cidades de 13 estados brasileiros. Ao longo dessa trajetória, foram atendidas 13.045 famílias, realizadas 118.153 consultas médicas gratuitas e 8.413 procedimentos cirúrgicos, que beneficiaram diretamente 6.237 pacientes. Atualmente, a Operação Sorriso conta com cerca de 200 voluntários cadastrados e mantém programas e atendimentos nas regiões de Natal (RN), Porto Velho (RO) e Santarém (PA). Mais informações em www.operacaosorriso.org.br.
Serviço
Triagem gratuita – Operação Sorriso
Local: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA)
Endereço: Rua das Araras, 241 – Bairro Eldorado – Porto Velho (RO)
Data: 26 a 30 de março
Horário: a partir das 8 horas
Inscrição: https://forms.gle/iTrE51EhUpuNTyC48
Informações: Asfir – Associação dos Fissurados de Rondônia - WhatsApp: (69) 98118-6949
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