Máquina pública, redes sociais e mentira: a campanha antecipada de Paulo Moraes às custas do esporte de Porto Velho

A fronteira entre gestão pública e propaganda eleitoral voltou a ser atropelada em Porto Velho. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o chamado “supersecretário” Paulo Moraes, irmão do prefeito Léo Moraes, usa a estrutura do município para fazer aquilo que a lei eleitoral proíbe e a ética condena: autopromoção política antecipada, baseada em versões distorcidas da realidade.
No vídeo, Paulo Moraes afirma que não existia calendário esportivo na gestão anterior. A declaração não resiste a um minuto de checagem. O que houve, na verdade, foi o esvaziamento completo do esporte municipal na atual gestão. O único evento realizado pela Secretaria Municipal de Esporte, hoje reduzida a uma sombra do que foi, é o Madeirão, uma competição pontual, incapaz de sustentar qualquer discurso de política pública continuada.
Programas e projetos previstos em lei foram simplesmente abandonados. Competições tradicionais como o Interdistrital de Esportes e o Circuito Beach desapareceram do calendário. A política de base, aquela que forma atletas e ocupa crianças e adolescentes com esporte, foi desmantelada sem cerimônia.
Também não é verdadeira a afirmação de que a atual gestão teria “democratizado” a participação de atletas que representam Porto Velho nos Jogos Intermunicipais de Rondônia (JIR). Foi a gestão anterior que criou a Copa Interclubes, justamente para garantir que os campeões municipais fossem, de fato, os representantes oficiais da capital nos jogos estaduais, um modelo transparente, técnico e meritocrático.
A sequência de inverdades acompanha a incapacidade administrativa. O programa Talentos do Futuro, referência no esporte de base, teve até o nome trocado, como se mudar a placa resolvesse o vazio deixado pela ausência de ações concretas. As competições infantis foram extintas. Em 2025, a secretaria não conseguiu sequer entregar uma bola.
Na gestão passada, o cenário era outro: mais de 2.300 crianças atendidas, com uniformes completos, reposição regular, chuteiras, material esportivo adequado, além de rotina permanente de manutenção e limpeza de ginásios e quadras poliesportivas. Nada disso existe hoje.
Para a ex-secretária municipal de Esporte, Ivonete Gomes, o problema não é falta de memória, é falta de entrega.
“Teria sido fácil apagar a história da gestão anterior: era só ampliar o que deixamos planejado. As pessoas estão dizendo que o esporte acabou em Porto Velho porque a incompetência é enorme , e as pessoas não são burras, estão vendo isso. Lembro ao senhor Paulo Moraes que os primeiros a perceberem a deslavada mentira são os próprios servidores da secretaria, que eram ouvidos e respeitados na gestão Hildon Chaves. Não há vídeo em rede social que mude a verdade. Aliás, Léo Moraes venceu as eleições com o apoio de clubes profissionais que diziam que receberiam verba pública. Até agora, até onde sei, isso não aconteceu.”
O uso da máquina pública para construir narrativa eleitoral, mirando 2026, não apenas desequilibra o pleito como agride a inteligência coletiva. Governar não é performar para algoritmo. Esporte público não se faz com vídeo, filtro e discurso ensaiado. Faz-se com planejamento, execução e respeito à verdade, três itens que, até agora, não aparecem no currículo da atual gestão.
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