Níveis fluviais na Amazônia registram queda recorde, aponta estação de pesquisa
As chuvas na Amazônia começaram a escassear em junho. Já são mais de três meses de uma estiagem crescente, o que está isolando comunidades inteiras, por causa das dificuldades de navegação em trechos de rios quase secos.
A balsa que liga Rondônia ao Acre, pelo Rio Abunã afluente do Madeira , está operando há dias com uma capacidade mínima. Cidades como Rio Branco, capital acriana, enfrentam falta de combustível e encarecimento dos alimentos. A situação mais grave, porém, atinge 25 cidades do Amazonas.
As chuvas na Amazônia começaram a escassear em junho. Já são mais de três meses de uma estiagem crescente, o que está isolando comunidades inteiras, por causa das dificuldades de navegação em trechos de rios quase secos.
A balsa que liga Rondônia ao Acre, pelo Rio Abunã afluente do Madeira , está operando há dias com uma capacidade mínima. Cidades como Rio Branco, capital acriana, enfrentam falta de combustível e encarecimento dos alimentos. A situação mais grave, porém, atinge 25 cidades do Amazonas.
A Defesa Civil do estado emitiu alertas para esses 25 municípios, diante dos efeitos da estiagem prolongada. Sete cidades já responderam ao alerta e decretaram situação de emergência, reconhecida pela Defesa Civil. Outras duas devem tomar a mesma iniciativa ainda nesta semana. Ao todo, 5 mil famílias estão isoladas, sem condições de transporte, com dificuldades de acesso a alimentação e a combustíveis.
A Defesa Civil ainda calcula quantos são os alunos que precisaram interromper o calendário escolar simplesmente porque não têm como chegar às escolas. Nossas estradas são os rios. Quando seca o leito, os alunos ficam impedidos de ir à aula, lamenta o coordenador da Defesa Civil no Amazonas, tenente-coronel Roberto Rocha Guimarães.
O temor no estado é que a situação de seca neste ano seja semelhante ou até pior do que a registrada em 2005. Em outubro daquele ano, a Amazônia viveu a seca mais severa desde 1963. O governo do Amazonas decretou estado de calamidade pública em todos os municípios do estado. Cerca de 1,2 mil comunidades 32 mil famílias sofreram com falta de água potável e alimentos, impossibilitados de serem transportados por causa do baixo nível dos rios Negro, Solimões e outros cursos dágua de menor porte.
Pelo que já acontece no Rio Negro, e diante da antecipação da seca, a situação poderá se repetir neste ano, como alerta o superintendente de Usos Múltiplos da ANA, Joaquim Gondim, responsável pela prevenção de eventos críticos. Na última quinta-feira, dia 9, o rio tinha 20,47 metros. É o mesmo nível registrado em 9 de setembro de 1963. É bem provável que, com esse nível tão baixo, a região registre o mesmo período de seca de 1963, a maior seca num período de 100 anos, diz Joaquim.
Ponto zero
Um grupo de especialistas em hidrologia e meteorologia do Amazonas, consultado pela Defesa Civil do estado, concluiu que a estiagem, neste ano, começou mais cedo na Amazônia. Por isso, as expectativas são ruins para os próximos meses de outubro e novembro, quando a seca deve se agravar.
No Rio Solimões, o nível da água já é o mais baixo registrado desde a década de 70, quando começou a ser feito o monitoramento. O último dado da estação de Tabatinga mostra um índice de 32 centímetros negativos. Isso significa o quanto o rio baixou em relação ao ponto zero da última régua colocada pelos técnicos da estação. Os técnicos não imaginavam que ia baixar tanto, afirma o superintendente da ANA, Joaquim Gondim.
No ano passado, segundo os registros já feitos pela ANA, o Rio Negro teve a maior cheia da história em Manaus: quase 30 metros. Agora, as comunidades locais do Amazonas sofrem com a seca. Os problemas estão concentrados principalmente nas regiões do Alto Solimões, na fronteira com o Peru e a Colômbia, e no Alto Juruá, na divisa com o Acre. Apenas embarcações de pequeno porte estão fazendo o traslado de produtos nessas regiões. As balsas estão conseguindo transportar o combustível para as termelétricas, mas a falta de abastecimento encarece os produtos alimentícios, ressalta o coordenador da Defesa Civil do estado.
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