Vernissage: Exposição celebra ancestralidade afro-brasileira e dos povos originários em Porto Velho

A exposição, que ficará em cartaz até o dia 15 de fevereiro, reúne obras que dignificam as representatividades afro-brasileiras e de povos originários, ressaltando a força simbólica das entidades que habitam a fé, a cultura e a religiosidade do país. Por meio de retratos intensos e expressivos, Margot Paiva constrói um território imagético onde cores, formas e gestos se entrelaçam para afirmar a memória, a resistência e a permanência desses legados na formação da identidade brasileira.
O imaginário proposto pela artista estabelece pontes entre passado e presente, entre o sagrado e o cotidiano, revelando a ancestralidade como força viva e em constante reinvenção. As obras evocam não apenas a beleza estética, mas a potência espiritual e política de um patrimônio cultural que sobreviveu às tentativas de apagamento e segue pulsante nos terreiros, nas expressões artísticas e nas manifestações populares do Brasil.
Um dos destaques da mostra é a técnica desenvolvida pela própria artista: óleo sobre veludo e óleo sobre lamê. A escolha dos suportes carrega significados simbólicos profundos. O veludo cria um jogo de luz e sombra que intensifica a aura sagrada das figuras retratadas, enquanto o lamê, com sua textura metálica, remete à nobreza e à grandiosidade dos arquétipos representados. A materialidade das obras reforça o diálogo entre tradição e contemporaneidade, espiritualidade e linguagem artística atual.
Através do texto curatorial de Marcela Bonfim, mais do que uma experiência visual, “Brasil, Memórias de Guiné e de Urucum” convida o público a uma jornada sensorial e espiritual, onde o sagrado se manifesta também como ato de pertencimento e afirmação cultural. Entre mitos, devoções e símbolos ancestrais, a exposição reafirma a presença africana e dos povos originários como base estrutural da história e da identidade nacional.
Além da exposição, o projeto conta com uma programação educativa, incluindo um Circuito Educativo, com mediação aberta ao público, e cinco oficinas intituladas “Pausa pra resPIRAR”, voltadas a usuários das unidades de saúde mental (CAPS). As oficinas propõem momentos de expressão, respiro e reconexão por meio da arte, ampliando o alcance social e formativo da mostra.
A exposição “Brasil, Memórias de Guiné e de Urucum” se expande através do projeto “Brasil, o maior país africano” contemplado no Edital de Chamamento Público nº 008/2025 – Categoria C, Meta 3 – Mostras da FUNCULTURAL.
A exposição permanece em cartaz até 15 de fevereiro de 2026 na galeria do Sesc Centro Cultural Gladstone Nogueira Frota, localizado na avenida Campos Sales, 2666 - Centro, Porto Velho - RO.
Sobre a artista
Margot Paiva é artista rondoniense com sua trajetória em pesquisa de material. Sua obra reflete uma intensa atividade à exploração de diferentes formas de expressão, desde objetos, instalações, pinturas, esculturas, jóias e paisagismo. Seus Portraits são uma de suas especialidades. Margot produz em sua própria técnica, pintando a óleo sobre veludo e lamet conduzindo nossa retina a uma sensação de pintura sobre placa metálica. A Poesia e a Filosofia são ferramentas essenciais no embasamento de sua obra.
Veja Também
Governo de Rondônia destaca avanços no controle da malária no estado
Campanha tenta salvar visão de condutor de lancha que transporta alunos no Baixo Madeira
Ação integrada promove conscientização sobre o autismo na Vila DNIT