Rondônia, 04 de março de 2026
Nacional

Mensagens revelam plano de ataque a jornalista e levam à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro

Mensagens obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero revelaram a existência de uma estrutura chamada “A Turma”, utilizada para intimidar opositores e monitorar pessoas consideradas adversárias. O material integra a investigação que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nesta quarta-feira (4), em São Paulo.

As apurações, detalhadas em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que Vorcaro é investigado por participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras e por comandar uma milícia privada destinada a atacar críticos e interferir em investigações.

Segundo a Polícia Federal, as conversas analisadas ocorreram por meio do WhatsApp entre o banqueiro e colaboradores próximos. Nos diálogos aparece a estrutura chamada “A Turma”, apontada como responsável por atividades de intimidação e monitoramento ilegal.

As investigações indicam que o núcleo de “intimidação e obstrução de justiça” seria liderado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Em uma das conversas, Vorcaro determina um ataque contra o jornalista Lauro Jardim após a publicação de reportagens consideradas contrárias aos seus interesses.

Na mensagem citada pela investigação, o banqueiro afirma:

“Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

Conforme o material analisado pela Polícia Federal, Mourão responde positivamente ao pedido, e os investigadores consideram o diálogo um indício de tentativa de simular um crime para intimidar a imprensa.

Outras mensagens indicam episódios de intimidação contra diferentes pessoas. Em um dos trechos, Vorcaro afirma sentir-se ameaçado por uma empregada e escreve:
“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, determinando em seguida que Mourão localizasse o endereço da mulher.

De acordo com as apurações, Mourão coordenava o grupo “A Turma” e recebia repasses mensais de R$ 1 milhão para executar ações de coação. As investigações também indicam que o controlador do Banco Master utilizava o aplicativo de mensagens para organizar pagamentos a servidores do Banco Central do Brasil (BACEN).

Em conversas com a funcionária Ana Claudia, o banqueiro confirmava valores destinados ao grupo responsável pelas ações de intimidação.

As mensagens analisadas pela investigação também mostram proximidade entre Vorcaro e integrantes do Banco Central. Em um dos diálogos citados no processo, Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto de Supervisão Bancária, envia ao banqueiro a imagem de sua própria portaria de nomeação e recebe como resposta um “Parabéns”.

Diante dos elementos reunidos na investigação, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, além das detenções de Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e Marilson Roseno da Silva.

A decisão também estabeleceu medidas cautelares contra servidores do Banco Central e determinou a suspensão de empresas apontadas como utilizadas para lavar o dinheiro que financiava o esquema investigado.

Após a divulgação das ameaças contra o colunista Lauro Jardim, o jornal O Globo divulgou nota afirmando repudiar as iniciativas criminosas planejadas contra o jornalista e classificou o episódio como tentativa de “calar a voz da imprensa”, destacando que continuará acompanhando o caso.

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