Rondônia, 14 de maio de 2026
Nacional

STF manda prender pai de Daniel Vorcaro e mais 6; delegada da PF é afastada por suspeita de ligação

A pedido da Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na manhã desta quinta-feira (14), a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e de outros 6 investigados na sexta fase da Operação Compliance Zero.   

As medidas cautelares impostas pelo relator alcançam financiadores, colaboradores e agentes de apoio ligados aos núcleos criminosos denominados “A Turma” e “Os Meninos”.  

Mendonça explicou que a decisão busca impedir a continuidade das atividades ilícitas e preservar a integridade das investigações, diante de indícios de ameaça a testemunhas, destruição de provas e risco de fuga. As medidas foram determinadas na Petição (Pet) 15978, que apura denúncias de fraudes bilionárias no mercado financeiro supostamente articuladas pelo Banco Master e por seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.  

“A Turma” 

A sexta fase da operação está relacionada à etapa deflagrada no início de março, quando o ministro determinou o retorno de Daniel Vorcaro à prisão e ordenou a prisão de integrantes da chamada “A Turma”, grupo responsável, segundo a PF, por espionar e monitorar pessoas, além de infiltração em órgãos públicos para obtenção de informações sigilosas.  

De acordo com as investigações, Henrique Vorcaro era o principal operador financeiro e responsável por repassar ao grupo as ordens de Daniel Vorcaro, inclusive durante o andamento das fases da operação.  

Também integravam o núcleo o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional mesmo depois de preso; Manoel Mendes Rodrigues, acusado de comandar um braço da organização no Rio de Janeiro; Sebastião Monteiro Júniorpolicial aposentado; e Anderson Wander da Silva Lima, policial federal em atividade na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro. 

“Os Meninos” 

O grupo era liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que foi preso em fase anterior e morreu na prisão. O núcleo atuava em operações tecnológicas, como ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal telefônico e telemático, sob ordens do comando central da organização. 

Foram presos David Henrique Alves, considerado o líder do núcleo tecnológico, Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, investigados por atuação de hacker no esquema. 

Informações estratégicas 

Segundo as investigações, a organização contava ainda com integrantes infiltrados nas forças de segurança para obtenção de informações sigilosas sobre apurações em curso. Entre eles estão a delegada da PF Valéria Vieira Pereira e o agente da PF Francisco José Pereira da Silva, suspeitos de utilizar acesso ao sistema e-Pol para repassar dados sigilosos ao policial federal aposentado Marilson Roseno.  

Por determinação do ministro, a delegada e o agente foram afastados das funções públicas e proibidos de acessar dependências e sistemas da Polícia Federal. Também foram impostas outras medidas cautelares, como entrega de passaportes e proibição de deixar as cidades de residência e o país.  

De acordo com o relator, o conjunto de fatos e provas apresentado pela PF “aponta para organização criminosa sofisticada, com braços presencial, policial-informacional, financeiro e tecnológico, em circunstância que exige resposta judicial compatível com a gravidade concreta do quadro apurado”. 

Todas as prisões preventivas e demais medidas cautelares tiveram parecer favorável do Ministério Público Federal.  

Veja a íntegra da decisão.  

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