Adolescente Isabelle teve morte lenta e dolorosa, diz delegada, que não descarta abuso sexual

Em coletiva na manhã desta terça-feira (3), a delegada Leisaloma Carvalho, diretora da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), atualizou informações sobre o inquérito que investiga a morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos, 16 anos, encontrada no último dia 24 em sua residência no bairro Jardim Santana. As primeiras informações sobre o caso foram confirmadas ao longo das investigações.
Segundo a delegada, a vítima já sofria abusos desde que deixou a mãe na Paraíba e veio morar com o pai, Callebe José da Silva, e sua atual companheira, Ivanice Farias de Souza, mas as agressões, tortura e humilhações foram maiores nos últimos dois meses. A adolescente foi segregada dos amigos e vizinhos para não buscar ajuda, alimentava-se de restos de comida, e era amarrada ao colchão à noite com cabos de fio. Sua morte, segundo o inquérito, foi lenta e dolorosa. O corpo da vítima foi infestado de larvas nos ferimentos causados pelos cabos de fio elétrico, amarrados com tamanha força para evitar sua fuga.
Avó sabia e há suspeita de abuso sexual
O pai, Callebe, a madrasta, Ivanice, e avó paterna, Benedita Maria da Silva, foram presos, por participação nas torturas da adolescente. Por enquanto, pai e madrasta foram indiciados por tortura e feminicídio, e há uma outra linha de investigação sobre abuso sexual do pai contra a vítima. “Quero deixar claro que a causa da morte dela não foi um ato isolado, mas uma sucessão de fatos, como a tortura, castigo e sofrimento físico e psicológico passados em sua casa, local que deveria ser de proteção, abrigo e cuidados e nas mãos de pessoas que deveriam ter o dever legal de protegê-la”, disse a delegada Leisaloma no início de sua fala.
Mãe também sofreu abusos
Callebe manteve um relacionamento conturbado com a mãe da menina. Ela morou até os 10 anos na Paraíba com sua família materna. A mãe se separou por causa das constantes agressões físicas. Marta Isabelle foi viver com o pai e a madrasta, e passou a sofrer violência psicológica, lesões e maus tratos. Uma ocorrência foi registrada pela outra filha de Callebe, mas a audiência estava marcada para março deste ano. “A situação não era tão grave e todas as providências foram tomadas dentro da legalidade”, explicou a delegada. Ela também disse que o avô e outros familiares também estão sendo investigados para saber se houve omissão no caso da adolescente.
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