Em três meses, mais de 2300 atendimentos de casos de diabetes
Nesta quinta-feira (7), Dia Mundial da Saúde, o Setor de Estatística da Policlínica Oswaldo Cruz (POC) totaliza 2.337 atendimentos a pessoas com diabetes de Porto Velho, interior de Rondônia, Sul do Amazonas, Noroeste de Mato Grosso, Acre e Bolívia. Esse número corresponde ao período de 1º de janeiro a 5 de abril deste ano, na média de pelo menos 40 por dia.
Apuí, Canutama, Humaitá, Lábrea e Manicoré (todas no Amazonas), Colniza (Noroeste de Mato Grosso) e bolivianos do Beni (Amazônia Boliviana) se somam à clientela brasileira do Sistema Único de Saúde (SUS), que recorre à capital rondoniense.
A diabetes é tratável e pode ser controlada, evitando-se complicações. O aumento do acesso ao diagnóstico, educação autogestão e tratamento a preços acessíveis são componentes vitais da resposta.
"Mas é preciso a pessoa se convencer que, uma vez acometida pela doença em sua forma crônica, o acompanhamento deve ser regular, ou seja, fará múltiplas visitas ao especialista", alerta a médica endocrinologista, Estela Carvalho.
A marca de 1,5 milhão de mortes a cada ano, atribuídas ao diabetes, com 90% das pessoas enfrentando a doença do tipo 2, alia-se a outro número preocupante: o percentual de 9% de adultos com diabetes no mundo.
Aumentando rapidamente em muitos países, principalmente naqueles de baixa e média renda. Nesse contexto, e se enquadrando entre as capitais brasileiras nas quais o estilo de vida e obesidade caminham juntos, o Dia Mundial da Saúde, proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), impõe rigorosa observação.
"Constatamos hoje que o diabetes Melitus tipo 2, diagnosticado com atraso, prejudica a maioria dos pacientes que não apresenta sintomas", disse Estela Carvalho.
Segundo ela, desde a instalação da doença, até o diagnóstico, há um espaço de quatro a sete anos, o que retarda a terapia, e sujeita o paciente a complicações se não for tratado a tempo. "Perda visual, amputações, risco de insuficiência renal, necessidade de hemodiálise, são os principais problemas", assinala a médica.
Estela lembrou que a OMS pretende reduzir a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis (DNT) em um terço até 2030, o que exige da sociedade a mobilização entre entidades, governos, empregadores, educadores, fabricantes, setor privado, a mídia e os próprios indivíduos.
A Secretaria Estadual de Saúde, Policlínica Oswaldo Cruz, Hospital de Base Ary Pinheiro e demais organismos do SUS reforçam nesta data a atenção e o reforço para melhorar a vigilância contra o diabetes. Aproximadamente 65% dos acometidos não estão bem informados sobre a doença.
"Quando a pessoa apresentar sintomas, como excesso de sede, aumento do volume de urina, perda de peso ou sinais vagos de tontura e alterações visuais, devem fazer ao menos uma glicemia em jejum, a partir dos 45 anos de idade, ou antes, se tiver excesso de peso ou histórico familiar", orientou Estela.
A instalação do Melitus tipo 2 (cuja ocorrência aumenta em Rondônia, no Brasil e no mundo) também tem ocorrido em crianças e adolescentes obesos. A médica recomenda mudanças no estilo de vida, notadamente em situação de sedentarismo: com o uso de medicamentos orais e, em alguns casos, de insulina; tratamento multidisciplinar com nutricionista, médico e, algumas vezes, o suporte psicológico.
A OMS também lança nesta quinta-feira o primeiro relatório global sobre diabetes, que revela as consequências da doença e defende sistema de saúde mais forte para assegurar a pretendida vigilância, prevenção melhorada e gestão mais eficaz do diabetes.
TIPOS DE DIABETES
O diabetes tipo 1 é o mais comum em crianças, pois pode surgir desde as primeiras semanas de nascimento até os 30 anos, mas é entre os 5 e 7 anos, durante a puberdade, que mora o perigo, e a atenção precisa ser redobrada. A diabetes está relacionada à falta ou pouca produção de insulina, o que faz com que não se consiga controlar a taxa de glicose ingerida.
Já a diabetes tipo 2 é hereditária e acontece quando as células resistem à ação da insulina, mesmo que sua produção seja normal. Antigamente era uma doença de adulto, mas com a elevação da taxa de obesidade infantil associada a uma vida sedentária e com maus hábitos alimentares, esse tipo de diabetes aumentou consideravelmente entre as crianças.
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