Rondônia, 04 de março de 2026
Polícia

Prefeitura vai cobrar por estacionamentos no centro e zonas Leste e Sul de Porto Velho

A frota de veículos de Porto Velho cresceu muito nos últimos anos. Em 2016, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) computa quase 250 mil veículos registrados e transitando pela capital. Com isso, nos horários de pico já é comum perceber engarrafamentos e lentidão nas vias. Outro problema muito recorrente é a falta de vagas para estacionar, principalmente na região central. A alternativa que muitos motoristas encontram é utilizar os estacionamentos privados que costumam cobrar pelo tempo de permanência. Para amenizar a situação, a prefeitura de Porto Velho prometeu, há algum tempo, o retorno do estacionamento rotativo, mas ainda não há previsão para a entrada em vigor do serviço.

O motorista Jardelson Almeida Reis trabalha com venda e entrega de pães caseiros junto com a mãe. Para ele, o trabalho as vezes é prejudicado porque ele não encontra vaga para estacionar o carro. “Normalmente tenho que dar três voltas numa quadra para conseguir, ou para em fila dupla e esperar alguém sair para poder estacionar. Hoje parei na vaga de deficiente para minha mãe tirar o pão, então é rápido e já saio, mas é difícil mesmo, principalmente próximo de órgãos públicos”, diz o jovem.

Para quem utiliza motocicleta é mais fácil encontrar vagas. Por isso a preferência pelo veículo que a estudante Caroline Moraes tem. “Prefiro a moto pela mobilidade e facilidade para estacionar. E até evito carro porque além de gastar mais, você ainda tem que pagar para os flanelinhas. Com moto eles quase não pedem e só pago se tiver dinheiro”, diz.

O guardador de carros José Augusto, conta que trabalha na rua há muito tempo e ajuda os motoristas a encontrarem as vagas. Sobre a cobrança, ele diz que pede ajuda, mas a pessoa não é obrigada a pagar. “A gente cuida dos carros, com segurança, indica e organiza o estacionamento aqui. A gente não cobra, a pessoa paga se quiser e o valor que quiser”, diz o guardador de carros que não aceita o termo flanelinha. “Flanelinha não. Flanelinha são os caras lá de São Paulo que risca e rouba os carros. Aqui nós somos os guardinhas”.

Com tanto tempo trabalhando desta forma, o companheiro de trabalho de José Augusto, que preferiu não dizer o nome, conta que já houve muitos problemas. “Já aconteceu de uma mulher reclamar que o carro dela foi riscado. Mas eu não tive culpa. Foi lá no Mercado Central, ela me tirou ainda. Mandou eu arrumar um trabalho, mas isso aqui é meu trabalho e faço com muito gosto”, garante.

Para resolver o problema, o motorista Bruno Negreiros acredita que a criação de um parquímetro seria mais viável. Como costuma frequentar muitos prédios públicos, ele diz que normalmente perde pelo menos meia hora por dia a procura de uma vaga para estacionar. “Os órgãos públicos são os piores lugares. Além dos funcionários que chegam cedo e deixam o veículo estacionado o dia inteiro, as vagas são reduzidas. É realmente muito difícil”, afirma Bruno. “O parquímetro obriga o motorista a pagar por aquele local ou faz com que ele ceda a vaga para quem precisa. Do jeito que está agora, o comércio tem prejuízo. Eu moro na Zona sul e até lá está um caos”.

E é exatamente a criação de um parquímetro que a Secretaria Municipal de Transito e Transportes (Semtran) diz que estar preparando o projeto básico para licitar. Segundo Francisco Ciarin, coordenador municipal de tráfego, uma empresa de consultoria foi contratada e fez a análise de como e onde seria a melhor forma para ter mais fluidez no trânsito. “Eles fizeram a análise e agora o processo está em elaboração do projeto básico, para depois licitar. Foram verificadas as principais ruas do Centro, Zona Sul e Leste de Porto Velho, onde devem ser instalados parquímetros”. Francisco acredita no entanto, que a falta de vagas deve-se ao crescimento da cidade. “A via é para escoamento e não para garagem de carro”, diz.

Segundo o secretário da Semtran, Antônio Jorge dos Santos, valores que serão cobrados ainda serão definidos no projeto básico e pelo estudo econômico. “O parquímetro terá as centrais onde vendem o cartão e o motorista será cobrado pelo tempo em que permanecer no local, mas isso tudo ainda está sendo definido pelo estudo econômico”, finaliza o secretário.

SIGA-NOS NO

Veja Também

Operação prende 10 e apreende adolescente por morte e esquartejamento em Guajará-Mirim

Operação da Delegacia da Mulher mira suspeito de estupro contra universitária

PF realiza operação para apreender dispositivos eletrônicos em investigação sobre abusos contra menores

Forças de segurança apreendem quase 400 kg de drogas em Porto Velho