Audiência pública discute investimentos do Dnit em Rondônia
Nesta quinta-feira (7) foi realizada no Plenário da Assembleia Legislativa audiência pública proposta pelo deputado Adelino Follador (DEM) para debater as questões do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) em Rondônia, em especial os trabalhos na BR 364.
O parlamentar iniciou apresentando estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que já registrou desde o início do ano, 378 acidentes de trânsito na BR 364, entre Vilhena e Rio Branco (AC).
Somente em 2015 foram 1.256 acidentes com 1.705 feridos e 111 mortos. Nos últimos três meses 25 pessoas morreram e 316 ficaram feridas.
Follador destacou os péssimos serviços realizados na rodovia, onde os tapa-buracos feitos em 30 ou 40 dias os buracos já se formam novamente. E complementou afirmando ser um absurdo o diretor do órgão (Dnit) não tirar duas horas para vir debater o assunto, mandando um representante.
O deputado Edson Martins (PMDB) lamentou a situação das BRs em Rondônia, com péssimo estado de conservação, tirando vidas, gerando custos altíssimos em hospitais e tratamentos. Destacou também a situação das BRs 429 e 425.
O deputado Só na Bença (PMDB) questionou o motivo pelo qual a BR 364, no Mato Grosso, é perfeita, limpa, sem buracos e enquanto isso, em Rondônia, as condições são tão precárias.
O deputado Léo Moraes (PTB), falou da importância em se discutir as melhorias de todas as BRs em Rondônia, incluindo a 319 ligando Porto Velho a Manaus. Em relação a 364, disse que está se tornando uma viagem quase que kamikaze trafegar pela rodovia.
“É preciso saber o que fazer daqui para frente, pensando no desenvolvimento e crescimento não só de Rondônia, mas dos vizinhos e que usam a rodovia para circular”, afirmou.
Participantes questionaram a duplicação e saturação da rodovia, que não recebeu melhorias para aguentar o fluxo crescente, privatização, e se falou da questão da corrupção e crise moral que afeta e paralisa o País. Alertaram que os novos projetos precisam ser mais bem elaborados e comandados por pessoal com capacidade técnica competente.
O engenheiro Alan Oliveira de Lacerda, do Dnit, respondeu aos questionamentos, afirmando que o projeto para duplicação de trechos e reforma geral na BR 364 custaria algo em torno de R$ 400 milhões, que foram “alterados pelo Dnit Nacional para o que se tinha” (referindo-se ao financeiro). Explicou os vários trechos que foram projetados e os “milagres” que o órgão tem feito.
Sobre a duplicação, disse que a melhor coisa que poderia acontecer é a privatização da rodovia. “Isso vai refletir em redução de vítimas fatais”, acrescentou. Ele também falou das questões dos viadutos de Porto Velho e da travessia urbana em Ji-Paraná, obras na BR em Jaru e Ariquemes e terceiras faixas em vários trechos.
Sobre a BR 425, afirmou que a obra não foi concluída e que parou devido às chuvas. Com o fim do inverno amazônico as obras retornam com a empresa corrigindo os defeitos e concluindo não somente os 8 km do início, mas outros mais de 30 que precisam de uma terceira camada asfáltica.
O deputado Adelino agradeceu especialmente ao engenheiro do Dnit por vir e responder a todos os questionamentos e a colaboração com os pronunciamentos e ideias. “Esperamos também que o projeto da ferrovia aconteça e desta forma desafogue o tráfego pesado em nossa BR 364”, afirmou.
A partir dos depoimentos, afirmou Follador, será dado encaminhamento das ideias e passará a cobrar a bancada federal para que agilize os projetos e recursos financeiros para que o Dnit em Rondônia possa executar todas as obras “tão necessárias para o nosso desenvolvimento”.
Depoimentos
O coordenador de Engenharia e representante do Dnit, Alan Oliveira de Lacerda, afirmou que o diretor do órgão estava em outra missão defendendo os interesses de Rondônia e em relação à BR 364 disse que a rodovia necessita de uma intervenção definitiva e não mais de tapa-buracos, que são paliativos e não resolvem a situação em longo prazo.
Disse que o Dnit teve cerceado seus recursos desde 2013, o que não permitiu o trabalho necessário. “Isso não é suficiente. O problema da BR não está encima, está embaixo. É preciso uma intervenção cirúrgica e isso é caro. Mas enquanto outros Estados recebem recursos, vemos anualmente o dinheiro ser retirado de Rondônia”, alertou.
Ele explanou sobre os projetos realizados em alguns trechos, como de Ji-Paraná a Cacoal, com contemplação de terceiras faixas e duplicação em alguns pontos. “Enquanto não for feito trabalhos definitivos, buracos vão surgir e vidas ainda serão perdidas na BR e computadas ao Dnit”, avisou.
O superintendente da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Alvarez de Souza Simões, disse que a pior coisa para um patrulheiro rodoviário é uma BR em péssimas condições, pois se passa mais tempo dando assistência do que patrulhando a rodovia.
“Mas o que mata na rodovia não são os buracos, mas a imprudência. Ela é responsável por 85% dos acidentes. Os outros 15% são os buracos, animal na pista e problemas mecânicos”, afirmou o inspetor.
Ele questionou a eficácia e eficiência da legislação vigente, que acaba por privilegiar empresas de fachada, que prestam péssimos serviços, e que precisam ser responsabilizadas. Defendeu “uma rodovia que se possa trafegar com conforto, pois segurança depende de cada um de nós”.
O secretário adjunto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sedam), Francisco de Sales, disse ser um usuário contínuo da BR, explicou já ter passado por diversas situações perigosas e defendeu a duplicação da rodovia.
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