Rondônia, 27 de fevereiro de 2026
Política

Contrato some antes de perícia e acentua suspeita de fraude na nominata do PSB

O processo que pede a cassação da nominata de vereador do PSB em Porto Velho teve um agravamento nesta terça-feira (18), quando o advogado da candidata Luzia da Silva Ozorio de Oliveira informou ao juizo que o contrato original que deveria passar por perícia não foi encontrado. O documento é o mesmo em que uma testemunha declarou nunca ter assinado, reforçando a suspeita de falsificação.

Segundo o pedido apresentado pelo advogado Edirlei Souza, em nome do candidato Junior Cavalcante (PSDB) e com a participação do Ministério Público, as suspeitas começaram com a votação inexpressiva das candidatas: dois votos para Caroline Suarez Costa, 7 para Luzia e 8 para Rafaela Carolina Evangelista de Oliveira. O processo também identifica vínculos familiares entre as três e a ausência de votos até mesmo entre parentes contratados como coordenadores ou cabos eleitorais.

A acusação aponta ainda que parte dos recursos públicos recebidos pelas candidatas foi utilizada na contratação de familiares. Uma parcela relevante do dinheiro foi enviada para contas pessoal e empresarial de Renan, contratado como cabo eleitoral de Caroline e responsável pelo aluguel de veículos para Caroline e Luzia. As contas de campanha de Luzia foram desaprovadas por falta de transparência, e ela foi condenada a devolver os valores.

A situação ganhou novo peso após a oitiva das testemunhas. Ueslei Lopes Soares, primo de Caroline e de Renan, afirmou em juízo que não trabalhou na campanha e declarou que a assinatura em seu nome no contrato juntado por Luzia foi falsificada. Diante disso, o juiz determinou a apresentação do documento original para exame pericial.

Contrato com assinatura falsa

Mesmo com a ordem judicial, o advogado representante de Luzia, informou nesta terça-feira (18) que o contrato original não foi localizado. O jornal teve acesso ao arquivo digital apontado como fraudulento e a uma assinatura oficial de Ueslei; em análise visual simples, as assinaturas não apresentam coincidência.

Além disso, a acusação anexou ao processo conversas de WhatsApp com outras duas testemunhas, Alessandro e Hudson, que negaram ter assinado contratos ou trabalhado na campanha das candidatas do PSB. O caso está sob investigação da Polícia Federal por indícios de crime eleitoral.

Caso a ação seja julgada procedente, os votos do PSB serão anulados, o que levará à retotalização dos resultados e poderá alterar a composição da Câmara Municipal. Com isso, Evaldo da Agricultura (PSDB) e Jamilton Costa (PRTB) podem assumir vagas. As candidatas também podem ser declaradas inelegíveis e responder criminalmente pela falsidade.

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