Rondônia, 26 de maio de 2026
Política

Ex-deputado Jesuíno Boabaid usa entidade de militares para voltar ao poder e busca aproximação com o Governo

O ex-deputado Jesuíno Boabaid, atual presidente da Associação dos Praças e Familiares da Polícia e Bombeiros Militar de Rondônia (Assfapom), cujo cargo é praticamente vitalício, está usando a entidade para tentar voltar a cadeira na Assembleia Legislativa, usando a categoria prometendo lutar por valorização. Enquanto discursa nas redes sociais dizendo estar combatendo as mazelas da tropa, criticando o aumento dos oficiais, Jesuíno busca aproximação com o Governo e o cumprimento do acordo alinhado no ano passado para apoiar o aumento de 2% do ICMS. Naquela sessão, vídeos na internet mostram familiares do ex-parlamentar criticando o deputado estadual Rodrigo Camargo, que ousou gritar contra a majoração do tributo.

Um dos acordos do ex-deputado, segundo consta nos bastidores, é assumir a cadeira de deputado estadual por alguns meses, indicar pessoas de sua confiança para o Governo Rocha para montar sua base de campanha. Quem tenta mostrar a verdade sobre Jesuíno é atacado, e até mesmo processado judicialmente. O exemplo é do policial Cleiton Isaac de Souza. Em mensagens e nas redes sociais, Cleiton chamou o ex-deputado de “vendido e traidor da classe” e que ele não ganharia nem para líder de bairro. Em ação de indenização, através do processo 7068692-66.2025.8.22.0001, Jesuíno entendeu que sua honra foi atingida e que o policial, ex-associado da entidade da qual ele é praticamente vitalício, estava o comparando com crime de corrupção. 

Ao avaliar o caso, o juiz José Gonçalves da Silva Filho julgou que as expressões do militar contra o presidente da Assfapom foram meramente opinativas, e que ele estaria sujeito a crítica, mesmo desfavorável por ser pessoa pública. A crítica, segundo a defesa, mesmo contundente ou incômoda, constitui elemento inerente ao debate democrático, especialmente quando direcionada a agentes públicos ou figuras de projeção política, cujo grau de tolerância à censura social é naturalmente mais elevado. 

Enquanto Jesuíno busca seus projetos pessoais, a tropa continua desassistida.

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