Rondônia, 28 de fevereiro de 2026
Política

Gestão Léo Moraes enfrenta crise de popularidade com a troca de empresa de coleta de lixo

Prefeito chegou a dizer em uma emissora de rádio que foi alertado que Eco PVH não tinha “expertise” para o trabalho

Visivelmente irritado com as cobranças nas redes sociais pela regularidade na coleta de resíduos sólidos nos bairros de Porto Velho, o prefeito Léo Moraes retornou na madrugada desta segunda-feira à Capital e agendou uma maratona de entrevistas nos veículos de comunicação para defender-se da “crise do lixo”. Na primeira emissora, ele disse aos jornalistas que chegou a ser alertado da falta de “expertise” da Eco PVH, que assumiu o recolhimento do lixo da cidade há cerca de 7 dias, mas não tinha outro caminho a seguir porque está cumprindo determinações judiciais. De fato, o prefeito está seguindo a determinação do desembargador Glodner Pauletto, que cassou a liminar da Eco Rondônia, que fazia o serviço há mais de 30 anos em Porto Velho, mas quem deu causa foi sua própria gestão quando disparou um contrato emergencial, dispensado a técnica, para retirar a Eco Rondônia, do Grupo Marquise, dos serviços de coleta da zona urbana e dos distritos.

Léo Moraes se baseia na decisão colegiada do Tribunal de Contas que considerou a licitação realizada pela gestão do ex-prefeito Hildon Chaves irregular. O próprio ex-prefeito foi à Justiça e garantiu o direito de contratar o Grupo Marquise, já que reconhecia a experiência da empresa no recolhimento do lixo da cidade. No contrato, suspenso pelo magistrado que hoje faz parte da cúpula do Tribunal de Justiça, a Marquise estava construindo as obras de transbordo de São Carlos, e a Estação de Tratamento de Esgoto, um investimento superior a R$ 50 milhões. Mas nada disso foi levado em consideração, muito menos  a experiência do grupo pela gestão do prefeito Léo Moraes. Num primeiro momento, sua equipe declarou vencedora a empresa Aurora, desclassificada por falta de capacidade técnica, e garantiu o contrato emergencial ao Grupo Amazon Fort, que controla a Eco PVH.

Daí em diante instalou-se uma profunda crise do lixo em Porto Velho. Nesta segunda-feira, bairros na zona Norte, como Rio Madeira, 4 de Janeiro e Aponiã amanheceram com as lixeiras abarrotadas. O cenário piora na zona Sul de Porto Velho, especialmente no bairro Castanheiras. Nos distritos, os moradores estão queimando lixo porque não há coleta e não conseguem descartar em outros lugares. Na vila Aliança, as pessoas estão fazendo fogueiras nos terrenos porque a coleta foi interrompida há mais de uma semana.

Prefeitura tenta amenizar

Do lado da prefeitura, a gestão tenta amenizar dizendo que tem feito cobranças constantes a Eco PVH. Léo Moraes disse na rádio que aconselhou os donos da empresa a contratar mais equipes, o que foi prontamente atendido, segundo ele. Mas os caminhões de coleta estão circulando com apenas dois garis, enquanto a Marquise circulava com um grupo de 4 pessoas, e as rotas eram atendidas sem grandes transtornos, inclusive do baixo Madeira. No fim de semana, o secretário de Infraestrutura, Thiago Catanhede, emitiu uma multa de mais de R$ 700 mil a Eco PVH pela incompetência na prestação dos serviços, mas sua equipe foi açodada porque no contrato emergencial vigente é necessário primeiro as chamadas advertências para então aplicar o castigo financeiro. Enquanto Léo percorre os veículos para tirar a culpa de sua gestão pela crise, o lixo continua acumulado nos bairros de Porto Velho, e a população cobra nas redes sociais uma intervenção urgente da administração municipal.

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