Porto Velho da excelência ao retrocesso: Léo reduz investimentos a 2%, perde Selo Ouro da Educação e amarga queda de R$ 300 milhões na arrecadação

Porto Velho vive um dos períodos mais delicados de sua história administrativa recente. O município acumula bloqueios de repasses federais por falta de prestação de contas e ausência de projetos técnicos, enquanto a arrecadação despencou cerca de R$ 300 milhões, afetando diretamente áreas essenciais como educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Na Secretaria Municipal de Fazenda (Semfaz) , o clima é de apreensão. “Já alertamos diversas vezes, mas o prefeito não ouve”, revelou um técnico.
Os números são duros e falam por si.
O percentual de investimentos no orçamento municipal caiu para apenas 2%, um patamar alarmante para uma capital. Em contrapartida, a folha salarial explodiu. Salários do prefeito (que saltou de menos de 20 mil para mais de 40 mil), secretários e assessores elevaram os gastos com pessoal a níveis jamais vistos na administração pública local, comprimindo ainda mais a capacidade de investimento da cidade.
Além da queda de arrecadação via FPM e demais impostos, Porto Velho amarga o bloqueio de pelo menos dois recursos federais, consequência direta da falta de prestação de contas e da inexistência de projetos estruturados. Soma-se a isso um prejuízo adicional em torno de R$ 7 milhões, decorrente da nota do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR), e mais R$ 20 milhões com a perda do Selo Ouro da Educação.
O retrato é de retrocesso institucional.
Educação desmontada por acordos políticos
Grave também é o impacto da atual gestão na educação. Para atender interesses políticos do senador Confúcio Moura (MDB), o prefeito Léo Moraes (Podemos) entregou a Secretaria Municipal de Educação a um aliado pessoal. O resultado apareceu rapidamente: em apenas um ano, Porto Velho perdeu desempenho, recursos e prestígio nacional.
Em 2024, o município havia alcançado um marco histórico ao conquistar o Selo Ouro no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com Nota 100, reconhecimento concedido pelo Ministério da Educação pelo desempenho excepcional na alfabetização de crianças até o 2º ano do Ensino Fundamental.
A conquista não foi obra do acaso. Foi fruto de políticas públicas consistentes, formação continuada de professores, programas pedagógicos estruturados e foco absoluto no aprendizado infantil. Sob a liderança da então secretária Gláucia Negreiros, Porto Velho deixou de ser apenas mais uma capital na estatística nacional e passou a figurar entre as referências brasileiras em alfabetização.
Mas em 2025, o cenário mudou.
A capital caiu para Selo Prata na mesma avaliação. Embora ainda cumpra critérios mínimos, a regressão é clara: a nova gestão não conseguiu sustentar o padrão de excelência que havia colocado Porto Velho no topo. A perda do Selo Ouro traz também impacto financeiro direto: cerca de R$ 20 milhões deixarão de entrar nos cofres municipais. Em 2027, a Educação deve perder ainda mais recursos, já que este ano, por exigência do Governo Federal, os municípios deveriam ter implementado aulas de robótica e informática nas escolas, o que não acontece em Porto Velho.
Educação desmontada, recursos perdidos.
Competitividade em colapso
O reflexo desse conjunto de erros administrativos aparece também nos indicadores nacionais. Na sexta edição do Ranking de Competitividade dos Municípios, Porto Velho despencou 109 posições, passando a ocupar a 370ª colocação entre 418 municípios avaliados. Uma queda vertiginosa que expõe o enfraquecimento institucional da capital de Rondônia.
Enquanto outras cidades buscam modernização, inovação e eficiência, Porto Velho afunda em improviso, descontinuidade e decisões orientadas mais por conveniência política do que por planejamento técnico.
Uma capital sem rumo
O quadro atual revela uma gestão que perdeu o controle das finanças, comprometeu a educação, bloqueou recursos federais e reduziu investimentos a níveis simbólicos. Tudo isso enquanto amplia gastos com cargos e salários.
Porto Velho não enfrenta apenas dificuldades momentâneas. Vive um processo de desestruturação administrativa, com impactos reais sobre crianças, professores, servidores e toda a população.
Governar exige mais que discursos ou arranjos políticos. Exige responsabilidade fiscal, planejamento, respeito ao dinheiro público e compromisso com resultados.
Hoje, infelizmente, a capital segue na direção oposta, pagando um preço alto por escolhas que priorizaram alianças e vaidades em detrimento do futuro.
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