Quatro anos depois, promessa do Heuro lançada por Fernando Máximo ainda não saiu do papel

“Hoje é um dia muito feliz, e de grande emoção, especialmente para mim que estou como secretário da Saúde, mas também por ser médico e por ter sido funcionário do João Paulo II por nove anos e assim conhecer bem a necessidade de um novo hospital. Essa unidade é um sonho de todos os rondonienses.”
A frase foi dita pelo então secretário de Estado da Saúde, Fernando Máximo, no lançamento da pedra fundamental do “novo” Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (Heuro). O discurso emocionado, feito diante de autoridades e representantes de instituições públicas, anunciava o que seria uma solução definitiva para um dos maiores gargalos da saúde rondoniense.
No próximo 19 de março, completam-se quatro anos daquele anúncio. O tempo passou, mas o hospital prometido permanece apenas como lembrança de um projeto que nunca avançou.
Na época, Máximo apresentou como grande inovação a adoção do modelo Built to Suit (BTS), no qual uma empresa ou consórcio construiria a unidade hospitalar e o Estado passaria a pagar somente após a entrega da obra. O custo estimado seria de R$ 2,8 milhões por mês ao longo de 30 anos.
A proposta foi vendida pelo então secretário como uma solução moderna, rápida e capaz de finalmente desafogar o Hospital João Paulo II, cuja superlotação é um problema histórico da saúde pública em Rondônia.
A promessa ganhou força porque foi defendida com insistência pelo próprio Máximo, que utilizava sua experiência como médico e ex-servidor da unidade para sustentar o discurso de que conhecia profundamente a realidade da rede hospitalar.
Convencidos pela proposta apresentada pelo secretário, instituições como o Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa chegaram a destinar recursos economizados de transferências constitucionais ao Governo do Estado, com o objetivo de contribuir para a estruturação do futuro hospital.
O projeto foi tratado como prioridade. Mas, com o passar do tempo, ficou evidente que a iniciativa anunciada com tanta convicção não havia sido devidamente estruturada.
A obra nunca começou.
Pouco tempo depois de lançar a pedra fundamental do hospital, Fernando Máximo deixou o comando da Secretaria de Saúde para disputar as eleições, elegendo-se deputado federal com forte projeção política construída durante sua passagem pela pasta.
Desde então, o projeto do Heuro, que havia sido apresentado como solução urgente para a saúde de Rondônia, simplesmente deixou de avançar.
A frustração é ainda maior porque o próprio Máximo construiu sua narrativa política a partir do discurso de profundo conhecimento da realidade hospitalar do Estado. Foi justamente com esse argumento que convenceu autoridades, instituições e parte da população de que o novo hospital sairia rapidamente do papel.
Quatro anos depois, porém, o resultado prático daquele anúncio solene é praticamente inexistente.
Enquanto o ex-secretário construiu sua carreira política e passou a atuar em Brasília, o sistema de saúde de Rondônia continuou enfrentando os mesmos desafios estruturais, especialmente no atendimento de urgência e emergência.
A promessa do novo Heuro acabou se transformando em um exemplo claro de como anúncios grandiosos, quando não acompanhados de planejamento sólido e execução eficiente, podem gerar expectativas que nunca se concretizam.
No fim das contas, a pedra fundamental lançada com tanta emoção acabou se tornando mais um símbolo das promessas que a política faz com facilidade, mas que a realidade administrativa exige muito mais do que discursos para se tornar verdade.
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