Sob comando de Marcos Rogério, irmãos enviaram recursos do PL e receberam mesmos valores via escritório de contabilidade

O senador Marcos Rogério, presidente regional do Partido Liberal e candidato a governador, precisa prestar esclarecimentos à opinião pública sobre o esquema de uso de recursos do “fundão” para irrigar o escritório Acotec Contabilidade Ltda, controlado pelos irmãos Sharleston Cavalcante de Oliveira e Anderson Cavalcante de Oliveira. Na campanha de 2024, os candidatos a prefeitos do PL receberam recursos da direção estadual, sob o comando de Marcos Rogério, e repassaram os valores integrais para a empresa de contabilidade, a título de “assessoria contábil”. O padrão foi identificado nas campanhas de Presidente Médici, Primavera de Rondônia, São Francisco do Guaporé e Nova Mamoré.
O esquema é investigado pela Polícia Federal e recai a suspeita de que esses recursos eram repassados ao escritório e posteriormente transferidos para terceiros, como restou comprovado no caso da Live Norte em Porto Velho. A PF deflagrou a Operação Dreno na última quarta-feira em Porto Velho, Ji-Paraná e Nova Mamoré. Shaleston é braço direito do senador Marcos Rogério e financeiro da sua campanha para o Governo. Até meados de agosto, ele recebia R$ 33.500,00 do Senado Federal como assessor parlamentar.
Representante do PL junto a Justiça Eleitoral, Sharleston autorizou o repasse de R$ 62 mil para o candidato Sérgio Skinão da conta da legenda em Rondônia. Dias depois, coincidentemente, o mesmo valor foi transferido para a Acotec, cujo proprietário é o irmão de Sharleston, Anderson, atual secretário de Fazenda de Ji-Paraná, também indicado por Marcos Rogério. O “modus operandi” se repete com o candidato Lucas Nunes de Primavera. Ele recebe do PL estadual R$ 56 mil e dias depois esses mesmos R$ 56 mil são pagos para Acotec. A estratégia se repetiu em São Francisco, onde o candidato Zé Wellington recebeu R$ 85 mil da direção estadual e repassou o mesmo valor para o escritório controlado pelos irmãos. O prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Brasileiro, também recebeu do “fundão” estadual R$ 160 mil e repassou o dinheiro integralmente para a Acotec.
Conivência ou omissão do senador Marcos Rogério
Em nota encaminhada pela assessoria do senador Marcos Rogério, a direção estadual do PL diz que nada tem a declarar porque a legenda não estaria sendo investigada. “O objeto da apuração é a conduta de pessoas físicas e de prestador de serviços contratado. A atuação institucional do partido não está em causa, portanto não há ponto a ser esclarecido pelo partido”, justificou a nota. Na verdade, a atuação do PL e do senador Marcos Rogério estão em discussão porque o parlamentar permitiu que um de seus assessores lotado no Senado transferisse recursos do partido e o dinheiro fosse usado integralmente para pagamento do escritório de contabilidade do irmão.
Confira as transferências para os então candidatos e depos os mesmos valores recebidos pela Acotec:
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